domingo, 26 de março de 2017

Crítica do (segundo) croqui

O croqui do aluno Pablo Adan tem um diferencial, pois ele acrescentou tinta de maneira sutil ao seu desenho. Mesmo que tenha sido pintado com cores parecidas à do lápis usado para desenhar, sua tonalidade era menor, mantendo o contraste com os detalhes. Seu traço é limpo, variando de espessura quando é necessário uma noção de profundidade. Seu traço também entra em harmônia com a tintura do desenho, fazendo com que não ficasse carregado. O enquadramento permite ao observador entender onde estava o artista na cena e equilibra os elementos (principalmente as plantas), não deixando o croqui ficar carregado de um lado. O posicionamento da cena cobriu toda a folha, mas permitiu que houvessem vazios para "descansar" o olhar diante de um prédio que contém tantos detalhes, como as janelas. 

domingo, 19 de março de 2017

Desafio: A diferença entre roupa e arquitetura.

Sob a perspectiva de que a função da arquitetura é isolar o ser humano dos estímulos do mundo exterior - gerando, assim, uma maior capacidade de concentração e conforto mental – a arquitetura não cumpre mais seu papel depois da criação da internet. Pois, mesmo dentro de nossas casas, continuamos recebendo um sem número de informações a cada minuto.
O que resta para arquitetura é seu papel de proteção contra intemperes e o social, porque o espaço arquitetônico se relaciona com a cultura e também a classe social das pessoas. Porém, nessa situação, ela compete com a moda, que também é uma forma de expressão que tem como função nos proteger dos fenômenos naturais.

Apesar disso, ainda há diferenças entre esses campos: primeiramente, a moda é individualista, então a arquitetura tenta conciliar um número maior de pessoas, representando um grupo ou vários. Além disso, mesmo que a internet e a tecnologia de realidade virtual nos possibilitem diversos tipos de interações, o ser humano ainda precisa de contatos que não pode ser feitos através de telas. E é nesse momento que a arquitetura se faz necessária de novo, ela é um ponto de encontro, de coletividade, no qual as pessoas não são apenas suas palavras ou fotos, são seu corpo e corpo precisa de contato. 

Comentário: "Animação Cultural" por Vilém Flusser

O ser humano, quando adquiriu técnicas que possibilitaram sua sobrevivência, passou a ter mais tempo livre para se dedicar e desenvolver outras atividades.  E essas atividades consistiram na criação, que demonstrava o lado mais abstrato do ser, gerando a arte e a cultura. Quando os objetos afirmam sua superioridade, eles se colocam como novo impulsionador da existência humana, exemplificam que, através da ciência, o homem se dedica a aperfeiçoar cada vez mais o material criado que a si mesmo. Sua necessidade de revolução se compara à própria necessidade do seu criador: o objeto não deve ser usado como definidor da abstração, mas fruto dela.

Porém, existe a perspectiva que encara o ser humano como produto daquilo que criou, como diz Leonardo, quando fala que o que define o ser humano é sua capacidade de criar para garantir sua própria existência. Talvez o problema não seja o homem ter como objetivo principal criar, mas sim depender de suas criações. A função de uma pessoa na sociedade é defina pelo objeto que era sabe controlar e não aquilo que ela é capaz de contribuir simplesmente por ser alguém, pois a relação homem-objeto está invertida.

Além disso, existe a relação mais amigável proposta por Cecília, em que não é exatamente preciso separar o homem de sua criação para ele se libertar. Ela propõe a percepção do homem, do objeto e a influência mútua de cada um. Que objeto é um meio de resgatar o mito da criação, no qual o homem enquanto criador se aproxima de um deus.

Com isso, é possível observar que a relação do homem com o objeto ainda não é completamente fixa, existem muitas nuances dependendo de como o criador vê o que está fazendo e também de como a sociedade vai lidar com os objetos. Primeiro, a possibilidade de modificação da natureza era uma dádiva que permitia a sobrevivência da espécie. Agora, numa sociedade mais materialista, o homem é controlado por aquilo que criou, por conta da dependência. E, apesar do presente, o questionamento da relação homem-objeto existe, possibilidade que as pessoas possam evoluir a ponto de equilibrar essa relação.