domingo, 19 de março de 2017

Comentário: "Animação Cultural" por Vilém Flusser

O ser humano, quando adquiriu técnicas que possibilitaram sua sobrevivência, passou a ter mais tempo livre para se dedicar e desenvolver outras atividades.  E essas atividades consistiram na criação, que demonstrava o lado mais abstrato do ser, gerando a arte e a cultura. Quando os objetos afirmam sua superioridade, eles se colocam como novo impulsionador da existência humana, exemplificam que, através da ciência, o homem se dedica a aperfeiçoar cada vez mais o material criado que a si mesmo. Sua necessidade de revolução se compara à própria necessidade do seu criador: o objeto não deve ser usado como definidor da abstração, mas fruto dela.

Porém, existe a perspectiva que encara o ser humano como produto daquilo que criou, como diz Leonardo, quando fala que o que define o ser humano é sua capacidade de criar para garantir sua própria existência. Talvez o problema não seja o homem ter como objetivo principal criar, mas sim depender de suas criações. A função de uma pessoa na sociedade é defina pelo objeto que era sabe controlar e não aquilo que ela é capaz de contribuir simplesmente por ser alguém, pois a relação homem-objeto está invertida.

Além disso, existe a relação mais amigável proposta por Cecília, em que não é exatamente preciso separar o homem de sua criação para ele se libertar. Ela propõe a percepção do homem, do objeto e a influência mútua de cada um. Que objeto é um meio de resgatar o mito da criação, no qual o homem enquanto criador se aproxima de um deus.

Com isso, é possível observar que a relação do homem com o objeto ainda não é completamente fixa, existem muitas nuances dependendo de como o criador vê o que está fazendo e também de como a sociedade vai lidar com os objetos. Primeiro, a possibilidade de modificação da natureza era uma dádiva que permitia a sobrevivência da espécie. Agora, numa sociedade mais materialista, o homem é controlado por aquilo que criou, por conta da dependência. E, apesar do presente, o questionamento da relação homem-objeto existe, possibilidade que as pessoas possam evoluir a ponto de equilibrar essa relação.  

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