domingo, 16 de abril de 2017

Análise: Um Lugar ao Sol

O documentário apresentado no dia 6/4 não fala sobre a minha realidade e, provavelmente, não fala da realidade das diversas pessoas que o assistiram. Fala de uma minoria, primeiramente citada num catálogo de pessoas mais influentes do Brasil e, depois, selecionada de acordo com sua moradia, que no caso se falava de coberturas.
A linguagem do documentário é interessante, a pessoa que está entrevistando pouco fala, deixando espaço para o entrevistado desenvolver sua fala como quer. Isso permite que o público veja a perspectiva dos moradores com maior clareza e eles, sem ter noção do público e da discussão levantada, não disfarçam nem quando são arrogantes.
É curioso ver como a arquitetura também tem um papel de exclusão, de distanciamento tão grande que a empatia já não é mais presente. Um momento que ilustrou isso muito bem foi quando uma moradora de cobertura rio junto ao seu marido dos tiros que aconteciam no solo, do qual ela não sentia que fazia parte de tal modo que comentava como eles pareciam fogos de artifício.
Num ambiente, condomínio, no qual a pessoa tem todo seu entretenimento juntamente com o lazer proporcionado pela era digital, não há nenhuma necessidade de interação com as pessoas que estão, literalmente, por baixo. Uma pessoa não tem por que ir à praia e interagir com estranhos se tem uma piscina em sua cobertura, por exemplo.

E essa falta de interação é perigosa, diminui o nosso reconhecimento do próximo como semelhante. Eles acham que estão mais próximos de deus no último andar, mas, com isso, estão cada vez mais distante dos humanos. Isso não seria um problema se essas pessoas não interferissem na vida dos outros, mas é preciso relembrar que elas são consideradas as pessoas mais influentes do país. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário